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EMENTAS 

SIMPÓSIO I MEMÓRIA, SILÊNCIO E RESISTÊNCIA

COORD.: Aracy Ernst e Bethania Mariani 

O objetivo deste simpósio consiste em mobilizar questões acerca do trabalho da memória em sua relação com o silêncio e a resistência a partir de materialidades da ordem do político, do artístico, do digital etc. em que se (des)locam sentidos pretéritos na constituição das subjetividades contemporâneas. Concebendo a memória como “um espaço móvel de divisões, de disjunções, de deslocamentos e de retomadas, de conflitos de regularização…” (PÊCHEUX, 1999, p. 56), pretende-se provocar uma reflexão acerca de processos discursivos relacionados às condições de produção históricas e políticas da atualidade em que os modos de ocorrência do silêncio fazem-se presentes, e a resistência desarranja a continuidade ritualística dos sentidos da ideologia dominante. Trata-se, pois, de pensar como a memória, enquanto estruturação da materialidade discursiva, configura o jogo entre as tomadas de posição conservadoras e as tomadas de posição de resistência em termos de subversão política e de desestabilização das evidências e também como as formas de silêncio aí incidem.

SIMPÓSIO II FORMAÇÃO IDEOLÓGICA, FORMAÇÃO DISCURSIVA, CONTRADIÇÃO

COORD.: Rodrigo Fonseca e Verli Petri

Este simpósio acolherá trabalhos desenvolvidos em Análise de Discurso que apresentem reflexões e contribuições em torno do nexo entre ideologia e discurso, da heterogeneidade constitutiva das práticas sociais e discursivas, do movimento contraditório entre dominação e resistência nas discursividades e nas lutas sociais, bem como da existência de condições ideológicas e discursivas de reprodução-transformação das relações sociais de produção. Michel Pêcheux ([1975] 2019) falava de "reprodução-transformação" para designar o caráter contraditório de um modo de produção dominante cujo princípio é a luta de classes. Nossa expectativa é que as propostas enviadas ao simpósio criem oportunidades para a discussão deste imbricamento entre as formações discursivas, as formações ideológicas, e a contradição que lhes é constitutiva e determinante, configurando as tomadas de posição-sujeito no interior de diferentes práticas sociais, contemplando acontecimentos enunciativos e discursivos, considerando que "a novidade não tira a opacidade do acontecimento" (PÊCHEUX, 1990, p. 20).

SIMPÓSIO III DISCURSO, LUTAS, RESISTÊNCIAS: CAMPO, FLORESTA, CIDADE

COORD.: Luciana Nogueira e Maria Virgínia Borges Amaral

Neste simpósio, propõe-se incorporar análises de discursos que produzem efeitos de insurgir, discursos que expressam os conflitos entre as classes, sobretudo, discursos da classe subsumida no capitalismo – a dos trabalhadores. Toma-se o mundo hoje como um lugar de expropriação de direitos, revelando-se no cenário político, econômico e social movimentos de luta e de resistências diante do avanço sem precedentes do Grande Capital. Enquanto a sociedade burguesa comemora o acúmulo de riqueza por uma minoria, a população adoece e morre contaminada pelos resíduos (ver-se a covid-19) da ação destrutiva deste modo de produção. Essa condição deletéria da sociedade contemporânea espraia-se pelos campos, florestas e cidades, promovendo expressiva agressão, objetiva e subjetiva, aos sujeitos tomados por esse movimento predatório e pela necropolítica. Este Simpósio toma por fundamento a Análise do Discurso como um campo de saber ancorado, teórica e metodologicamente, no materialismo histórico, para ler essa realidade e desvelar suas contradições.

SIMPÓSIO IV LUTA DE CLASSES, GÊNERO E RAÇA

COORD.: Belmira Magalhães e Vanise Medeiros

Este simpósio parte dos pressupostos de Pêcheux sobre discurso, sujeito, história e linguagem para propor uma discussão sobre as relações de produção contemporâneas, a partir das lutas de classe, gênero e raça, noções a serem tensionadas a partir de sua utilização como motor de práticas de eugenia, de exclusão social e de controle sobre a morte. Pretendemos enfocar as condições de produção que levaram a enfrentamentos entre classes, baseado em um conservadorismo que acirra a luta entre as oposições, muitas delas promovidas pelo Estado. A crise estrutural do sistema necessita que os explorados sejam, cada vez mais, os culpados pela sua própria situação de pobreza e esta se soma às intersecções de gênero e de raça, intersecções que deixam à mostra que, as chamadas minorias, que são, no entanto, os maiores grupos da sociedade, sejam aqueles que mais sofrem nas relações de produção capitalista. Neste sentido, este simpósio pretende acolher trabalhos que considerem as questões acima propostas, debruçando-se tanto sobre os processos de opressão quanto sobre o ativismo em relação a tais lutas.

SIMPÓSIO V IDENTIFICAÇÃO, ESPAÇO DIGITAL, CAPITALISMO

COORD.: Fernanda Correa Silveira Galli e Lucília Maria Abrahão e Sousa

O presente simpósio tem como objetivo proporcionar reflexões sobre os modos de inscrição do sujeito no espaço digital e sobre a forma como a ideologia funciona produzindo evidências (ROMÃO; GALLI, 2013), num jogo de forças que instaura a movimentação de sentidos. Nessa perspectiva, serão acolhidas propostas que trabalhem com o escopo da teoria pecheuxtiana, a saber, i. sujeito como posição no discurso em suas várias formas de produzir efeitos em sites, blogues e portais; ii. ideologia como interpelação do indivíduo em sujeito de seu discurso em modos de denunciar, reivindicar e revoltar-se em sítios digitais de movimentos sociais e políticos; iii. memória como condição do legível em formas de reviramento dos sentidos estabilizados em redes sociais. Nosso objetivo é fazer ranger a contradição no/do digital (DIAS, 2018) em suas formas de aparição material do “inexistente e do irrealizado” na língua em injunção com a contemporaneidade brasileira e os efeitos do capitalismo.

SIMPÓSIO VI TECNOLOGIAS, MÍDIAS, IDEOLOGIA

COORD.: Fernanda Luzia Lunkes e Silmara Dela Silva

Neste simpósio, compreendemos a noção de ideologia como mecanismo de produção de evidências dos sujeitos e dos sentidos, tal como mobilizada por Michel Pêcheux, a partir de L. Althusser. Assumir essa tomada de posição implica produzir gestos de leitura que desconstruam os efeitos de evidências produzidos na(s)/sobre mídia(s) e(m) suas tecnologias, expondo o olhar leitor à opacidade das diferentes práticas em jogo (técnicas, políticas, teóricas etc.). Para tanto, faz-se necessária a mobilização de dispositivos teóricos e analíticos que permitam construir esse percurso por meio de questões elaboradas para e a partir dos diferentes objetos e(m) suas condições de produção. Interessa-nos, assim, reunir trabalhos que promovam reflexões teórico-analíticas acerca de funcionamentos discursivos da/na mídia; que se voltem à compreensão das mídias e das tecnologias em seus processos de constituição, formulação e circulação de sentidos; que se debrucem sobre materialidades linguístico-históricas na especificidade de seu funcionamento midiático-tecnológico-discursivo.

SIMPÓSIO VII EDUCAÇÃO, LÍNGUA(S), DISCURSO

COORD.: Claudia Pfeiffer e María Teresa Celada

O presente simpósio convida pesquisas que, na articulação entre educação, língua(s) e discurso, analisem funcionamentos discursivos inscritos em políticas públicas, práticas de sala de aula, formação de professores, livros didáticos, imprensa, dentre outros espaços e textualidades envolvidos no ensino de língua(s). Especificando um pouco mais, convidamos pesquisas que levem em consideração a relação indissociável entre a constituição de saber(es) sobre a(s) língua(s), a configuração da(s) língua(s) e os processos de identificação que afetam os sujeitos de linguagem na configuração de políticas de língua que afetam, necessariamente, as formações sociais. Convidamos, enfim, pesquisas que promovam gestos de visibilidade às tensões e contradições, às disputas de sentidos enredadas em relações de força desiguais e às equivocidades que se inscrevem no espaço discursivo do ensino de língua(s).

SIMPÓSIO VIII DISCURSO, SUJEITO, CONDIÇÕES DE PRODUÇÃO

COORD.: Carolina Rodríguez-Alcalá e Helson Flávio da Silva Sobrinho

Este simpósio tem por objetivo refletir sobre a categoria condições de produção, em sua imbricação contraditória com as de discurso e de sujeito, na perspectiva materialista da Análise do Discurso pecheuxtiana. Uma questão central a ser discutida é a especificidade dessa categoria em relação a noções como “situação de fala” ou “contexto", mobilizadas em outras abordagens teóricas nos estudos da linguagem. Para isso,  o simpósio acolherá: 1) estudos sobre o trajeto conceitual de condições de produção na história das ideias, seja sobre seus fundamentos filosóficos e epistemológicos ou sobre seu caráter político e conjuntural; 2) análises de materiais de linguagem que problematizem as condições de produção e que, necessariamente, remetam o processo discursivo à sua exterioridade constitutiva. Como resultado, o simpósio espera promover um debate amplo sobre as condições ideológicas de reprodução/transformação das relações de produção e sobre o discurso e o sujeito em sua concretude histórica, política e econômica na sociedade capitalista atual. 

SIMPÓSIO IX REAL, ARTE, CORPO

COORD.: Nádia Neckel e Suzy Lagazzi

O real nos confronta com a incompletude, o alhures, a contradição e nos demanda o movimento dos sentidos. A arte nos inquieta, nos afeta, nos desloca, nos expõe à deriva pela poesia do significante. O corpo nos convoca, nos sacode, nos dá suporte e resiste. Na tríade real, arte, corpo, este simpósio busca compreender o funcionamento do político, mobilizando a diferença em sua potência de dar movimento aos sentidos, a arte em sua po(i)ética que afeta e metaforiza, o corpo em sua carnidade que convoca a resistir. Como pode o corpo, mobilizado pela arte e atravessado pela po(i)ética, perturbar a memória trazendo condições para a desregulação das injunções que conformam o social? Como o corpo, investido pelo artístico, textualiza o alhures em suas possibilidades de contradição? Este simpósio, portanto, acolherá trabalhos que discutam o político e o poético a partir de um olhar que entremeie corpo e arte como espaços de resistência do sujeito e dos sentidos.